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Atividades Artísticas

Exposição "Expedição Langsdorff"

A exposição, composta de peças provenientes da Rússia, está sendo apresentada - de fevereiro a outubro 2010 - nos Centros Culturais Banco do Brasil de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Esta obtendo um grande sucesso de público e de crítica. Recebeu desde o início uma excelente cobertura da mídia escrita e audiovisual (clique aquipara ver os clippings).

Consultoria internacional para a “ARTE A Produções Culturais”

Além da programação em Brasília e no Rio de Janeiro, há espaço de tempo para mostrar a exposição em duas localidades adicionais. A Equinox do Brasil está trabalhando junto com a empresa de eventos “ARTE A” na viabilização de dois espaços adequados na região Sul e nas região Centro-Oeste ou Norte, de preferência próximos à rota seguida pelo Barão de Langsdorff há cerca de 200 anos.

Junto com a definição dos locais de exposição buscam-se novos patrocinadores que irão dar continuidade ao apoio fornecido pelo Banco do Brasil.

A seguir, o resumo das datas e das localidades agendadas e a serem ainda definidas.

CCBB SÃO PAULO: 22 DE FEVEREIRO A 25 DE ABRIL (EM EXIBIÇÃO)
CCBB BRASÍLIA: 10 DE MAIO A 18 DE JULHO
CCBB RIO DE JANEIRO: 02 DE AGOSTO A 26 DE SETEMBRO
4ª. LOCALIDADE BRASIL( SUL): ÚLTIMO BIMESTRE 2010 (A CONFIRMAR)
5ª. LOCALIDADE BRASIL (CENTRO-OESTE / NORTE): 1º. BIMESTRE 2011 (A CONFIRMAR)


Descritivo da Exposição Langsdorff

Reconhecida como um dos mais ousados estudos realizados no Brasil de sua época, a expedição Langsdorff, realizada entre 1821 e 1829, teve por objetivo revelar nosso país para o restante do mundo, a partir de observações envolvendo diversas áreas da ciência. A riqueza e grandiosidade da natureza brasileira impressionam a tal ponto o acadêmico e naturalista Langsdorff, radicado no Brasil, alguns anos antes, como cônsul-geral da Rússia, que decide empreender uma incrível viagem de exploração científica às terras do interior do país. O Brasil vivia então o intenso momento de transformações, dada a declaração de independência em 1822 e o consequente esforço de fundar uma nação.

Embora a região litorânea da América Latina já fosse conhecida e explorada no decorrer dos últimos trezentos anos, o interior e a grande massa continental persistiam como um grande enigma, dadas as dificuldades naturais de alcançar essas terras. O interesse das investigações então realizadas passa a se diferenciar pelos registros realistas e a sistematização do conhecimento, segundo modelos científicos, uma mudança na forma de exploração do continente. A expedição parte do Rio de Janeiro e chega a Belém do Pará, percurso que exige mais de sete anos de dedicação. Após essa grandiosa viagem, Langsdorff, com auxílio de especialistas de diversas áreas da ciência, compõe um extenso mapeamento do território brasileiro. A exposição “Expedição Langsdorff” apresenta grande parte do acervo resultante desse trabalho, convidando o público a refletir, com olhos atuais, sobre as imagens assumidas pelo Brasil deste período.

A odisséia tropical

A viagem planejada pelo Barão Langsdorff pretendia retirar o “véu” que distanciava um Brasil ainda desconhecido para a Europa. Nos primeiros anos, o grupo segue em direção à província de Minas Gerais, região que percorrem até a fronteira com a Chapada Diamantina. Investindo no esforço do desconhecido, a expedição parte em seguida para a exploração de terras ainda pouco habitadas, como o centro-oeste e o norte do país. Este longo trajeto se realiza principalmente seguindo o curso de importantes rios, os possibilitam cruzar o território brasileiro de São Paulo a Belém. A aventura de Langsdorff leva os viajantes em contato com grandes cidades e pequenos arraiais, populações das mais diversas e paisagens urbanas ou selvas tropicais.

Os olhos se voltam, assim, ao imenso interior do Brasil: o sertão que se preenchia com a gente e esforços de uma nação que acabava de nascer. A expedição Langsdorff realizou o primeiro mapeamento detalhado do país, descrevendo não só os aspectos físicos do território, mas também a ocupação dessas terras por fazendas e núcleos urbanos. A expedição percorre ao fim mais de 16.000 km, pelos atuais estados do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, de São Paulo, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul, de Goiás, do Amazonas e do Pará.

Um Brasil sob os olhos da Ciência

A expedição Langsdorff é a primeira investigação de ampla abrangência científica no Brasil. O Barão de Langsdorff, que organiza tal empresa, reúne uma equipe complexa, composta por especialistas de diversas áreas da Ciência. Entre os participantes, um astrônomo-cartógrafo-geógrafo (Néster Rubtsov), um botânico (Ludwig Riedel), um zoólogo (Edouard Ménétriès) e pintores (Rugendas, Taunay e Florence) são encarregados das pesquisas e investigações dos elementos que cruzam o caminho da expedição. As observações da flora e da fauna procuravam identificar novas espécies segundo a taxonomia em desenvolvimento por naturalistas da época. Nesse sentido, os artistas se dedicam aos registros de todas as descobertas, de forma que a pretensão realista é coerente à função documental que assumem.

O esforço pelo conhecimento do mundo se insere no ideário iluminista de em vigência na Europa, e é segundo essa intenção que cientistas deste continente partem para a exploração de terras e mundos desconhecidos.

O interesse antropológico nascente

A perspectiva científica que orienta as viagens de Langsdorff também pode ser aplicada ao contato instigante com as populações nativas. Além de registrar hábitos locais e tentar buscar as peculiaridades dos povoados que encontram, os artistas buscam detalhar em seus desenhos os traços típicos, exaltando as particularidades étnicas. Esses registros, vistos de frente e perfil, almejam uma classificação e diferenciação desses grupos, entre as populações negras, indígenas, mestiças e brancas. Na iconografia, o romantismo se destaca pela ênfase nos costumes próprios, compondo o que pode ser chamado de “paisagem social”. O contato com o outro marca as descrições da experiência da expedição, contrastando o cotidiano brasileiro com a noção de civilização europeia. É certamente a antropologia em desenvolvimento ma Europa que abre as portas para esses estudos. Os relatos da expedição colaboram para um panorama da cultura brasileira em processo de construção.

Métodos de pesquisa e resultados alcançados

Além de apresentar cerca de um terço de toda a produção confeccionada pelos artistas, a exposição possibilita ao público o contato com todo o material resultante das viagens de exploração chefiada por Langsdorff, em formato digitalizado, que compreende 367 desenhos e aquarelas. Os mapas realizados durante o trajeto encontram-se apresentados na íntegra na exposição, compondo um conjunto de 36 mapas e plantas.

A exposição traz em si uma comparação desses registros realizados pelo cartógrafo Néster Rubtsov com imagens atuais de satélite. Assim, torna-se possível verificar a precisão e a destreza com que o conhecimento do território se efetiva. A exposição apresenta também instrumentos técnicos utilizados na época para realização destes estudos, como o sextante. Dessa forma, é possível aproximar o público dos métodos utilizados para produção conhecimento em meados do século XIX.

Langsdorff e a “memória esquecida” do Brasil

Langsdorff encantou-se pelo país que o recebeu como cônsul e dedicou quase vinte anos de sua vida a pesquisas em territórios brasileiros. Para além disso, ele planeja melhorias para a administração e visa ao desenvolvimento da civilização no Brasil. Suas viagens resultam em um incrível quadro da situação brasileira deste período, com abordagem holística devido ao interesse por múltiplas áreas da Ciência.  Todo o material científico recolhido ao longo deste percurso é enviado para a Academia de Ciências de São Petersburgo e, após a morte de Langsdorff e dos demais participantes da expedição, fica esquecido em caixas nos porões do Jardim Botânico da mesma cidade.

Recuperado em 1930, os estudos sobre este acervo voltam à tona, assumindo imprescindível valor para a análise da década de 1820 na História do Brasil. Dessa forma, a exposição “Expedição Langsdorff”procura estabelecer um olhar retrospectivo com a nação que nascia e começava a se formar, panorama que nos permite pensar as transformações pelas quais passamos nesses quase duzentos anos.

 

 

 

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